Quinta-feira, 1 de outubro de 2026 Jundiaí e Região
Saúde e Bem-estar

Academia no condomínio: o lazer mais valorizado pelos moradores está presente em apenas 34% dos prédios

A academia está entre as áreas de lazer mais valorizadas pelos moradores, mas aparece em apenas 34% dos condomínios pesquisados pela Brain Inteligência Estratégica. E existe outro desafio: mesmo onde ela está disponível, somente 20% dos entrevistados afirmam utilizá-la. Entenda por que esse espaço ganhou importância e como equipamentos, conservação e planejamento podem influenciar sua utilização.

Academia no condomínio: o lazer mais valorizado pelos moradores está presente em apenas 34% dos prédios
Condomínio x Academia

Piscina, salão de festas, churrasqueira, playground e academia. As áreas de lazer fazem parte da rotina dos condomínios e também pesam na percepção que moradores e compradores têm sobre um empreendimento.

Mas uma pesquisa nacional realizada pela Brain Inteligência Estratégica em junho de 2026 revelou um dado curioso: a academia ou espaço fitness está entre os itens mais valorizados pelos moradores, mas ainda aparece em somente 34% dos condomínios pesquisados.

O levantamento ouviu 1.200 pessoas em diferentes regiões do Brasil e comparou quatro aspectos: o que existe nos condomínios, o que os moradores consideram importante, o que realmente utilizam e o que gostariam de ter.

Academia e piscina estão no topo da preferência

Quando os entrevistados foram questionados sobre as áreas de lazer que consideravam mais importantes, academia ou espaço fitness e piscina adulta empataram na primeira posição, com 56% das citações.

Depois aparecem salão de festas, com 42%, e espaço gourmet ou churrasqueira, com 41%.

A disponibilidade, entretanto, conta outra história.

Enquanto espaço gourmet ou churrasqueira está presente em 55% dos condomínios pesquisados, piscina adulta em 53% e salão de festas em 52%, a academia aparece em apenas 34%.

Por que ter academia dentro do condomínio chama tanta atenção?

Uma das explicações está na própria mudança de percepção sobre atividade física.

A academia não é apenas um espaço recreativo. Ela pode fazer parte da rotina de saúde e qualidade de vida do morador.

E ter esse recurso a poucos metros do apartamento elimina uma barreira bastante prática: o deslocamento.

Não é necessário pegar o carro, enfrentar trânsito ou reservar tempo adicional para chegar até uma academia externa. Dependendo das regras do condomínio, o morador também pode encontrar maior flexibilidade de horários para encaixar a atividade física em sua rotina.

Essa conveniência pode ser especialmente interessante para quem trabalha em casa, possui uma rotina apertada ou simplesmente procura reduzir o tempo necessário para se exercitar.

Exercício físico vai muito além da estética

A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos realizem entre 150 e 300 minutos de atividade física aeróbica moderada por semana, ou entre 75 e 150 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento dos principais grupos musculares em pelo menos dois dias da semana.

Segundo a OMS, a prática regular de atividade física está associada a benefícios para a saúde cardiovascular, controle da hipertensão, redução do risco de diabetes tipo 2, saúde mental, sono e outros indicadores de saúde.

Ter uma academia dentro do próprio condomínio não garante que o morador atingirá essas recomendações, mas pode colocar uma opção de atividade física literalmente dentro de casa.

Mas existe outro número que merece atenção: apenas 20% utilizam

A mesma pesquisa apresenta um contraste importante.

Embora 56% coloquem a academia entre os espaços mais importantes, 20% dos entrevistados afirmam utilizar efetivamente esse ambiente no condomínio.

Isso não significa que os demais moradores que possuem academia nunca a utilizem, nem que a diferença possa ser atribuída a uma única causa. A pesquisa mede indicadores diferentes de importância, presença e utilização.

Ainda assim, o resultado provoca uma pergunta importante para síndicos, construtoras e administradoras: será que basta ter uma academia?

A qualidade dos equipamentos pode fazer diferença?

Imagine duas situações.

Na primeira, o condomínio possui uma pequena sala chamada de academia, com uma esteira antiga, uma bicicleta, alguns halteres e aparelhos que frequentemente apresentam problemas.

Na segunda, o espaço é organizado, ventilado, possui equipamentos em bom estado e oferece alternativas para exercícios aeróbicos, fortalecimento muscular e exercícios com pesos livres.

Embora ambos possam aparecer igualmente como “academia” na lista de áreas comuns, a experiência oferecida ao morador é bastante diferente.

A pesquisa da Brain não investigou se a qualidade dos aparelhos explica o índice de utilização. Portanto, não seria correto afirmar que os 20% decorrem de equipamentos ruins.

Mas, do ponto de vista de planejamento do espaço, é razoável considerar que variedade, conservação, disponibilidade e adequação dos equipamentos influenciam a possibilidade de realizar diferentes tipos de treinamento.

Por que tantos condomínios ainda não possuem academia?

Parte da resposta está na própria história dos empreendimentos.

Muitos edifícios foram construídos em períodos nos quais uma academia condominial não possuía o mesmo apelo atual. Salão de festas, piscina e quadras estavam entre as estruturas tradicionalmente priorizadas nos projetos residenciais.

Criar uma academia posteriormente também não significa apenas comprar alguns aparelhos.

É necessário encontrar uma área comum compatível, avaliar piso, ventilação, instalações elétricas, circulação, ruído e segurança, além do investimento inicial e dos custos posteriores de manutenção.

Em condomínios menores, existe ainda outra questão: quanto maior a estrutura de lazer, maiores podem ser os custos de implantação e conservação distribuídos entre um número menor de unidades.

Ter poucos aparelhos não é necessariamente um problema

Por outro lado, uma boa academia condominial não precisa tentar competir com uma grande academia comercial.

O objetivo pode ser diferente.

Um espaço menor, mas bem planejado, pode atender moradores que desejam fazer uma caminhada na esteira, pedalar, realizar musculação básica, treinamento funcional ou complementar outras atividades físicas.

Nesse caso, pode ser mais interessante possuir menos equipamentos, mas equipamentos úteis, variados e bem conservados, do que preencher a sala com aparelhos pouco utilizados.

Ouvir os moradores antes de investir pode evitar desperdícios

Se um condomínio pretende criar ou modernizar sua academia, uma pesquisa simples entre os próprios moradores pode ser um bom ponto de partida.

Quantas pessoas utilizariam o espaço? Quais atividades praticam? Preferem esteira, bicicleta, musculação ou treinamento funcional? Em quais horários provavelmente utilizariam a academia?

Essas respostas ajudam a evitar uma situação relativamente comum: investir em equipamentos caros que parecem interessantes no catálogo, mas pouco correspondem ao perfil dos futuros usuários.

Também é possível avaliar a utilização depois da implantação e utilizar esse comportamento para orientar futuras substituições ou ampliações.

Um espaço que deixou de ser apenas “lazer”

Os números da pesquisa ajudam a explicar por que as academias aparecem cada vez mais nos projetos residenciais.

Para muitos moradores, elas ocupam uma posição diferente de espaços utilizados eventualmente para festas ou confraternizações.

A academia pode ser utilizada várias vezes por semana e estar diretamente ligada à rotina de saúde e bem-estar.

Ao mesmo tempo, os dados mostram que existe uma distância entre valorizar, possuir e realmente utilizar.

Talvez esse seja o principal aprendizado para os condomínios: não basta colocar uma placa de “Espaço Fitness” na porta.

Quando há planejamento, equipamentos adequados, manutenção e um ambiente agradável, a academia tem mais condições de cumprir aquilo que os moradores esperam dela: ser uma facilidade para cuidar da saúde sem precisar sair de casa.

Fontes consultadas

  • BRAIN INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA. Pesquisa nacional sobre áreas de lazer em condomínios. Levantamento realizado em junho de 2026 com 1.200 entrevistados de 21 a 70 anos, abrangendo diferentes regiões brasileiras. Foram analisados presença, importância, utilização e desejo em relação às áreas de lazer dos condomínios.
  • PORTAS. Academia é lazer mais valorizado, mas está em poucos condomínios no Brasil. Publicação de setembro de 2026 baseada no levantamento da Brain Inteligência Estratégica. Material consultado para os indicadores de presença, importância, utilização e desejo relacionados às academias e demais áreas de lazer.
  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). WHO Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour. Diretrizes consultadas sobre níveis recomendados de atividade física para adultos e benefícios associados à prática regular de exercícios.
  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Physical Activity. Material institucional sobre atividade física, fortalecimento muscular, comportamento sedentário e benefícios da prática regular para a saúde física e mental.
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