Segunda-feira, 28 de setembro de 2026 Jundiaí e Região
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Gatos estão conquistando os apartamentos: como preparar a casa para eles?

Os gatos estão cada vez mais presentes nos lares brasileiros e combinam com a vida em apartamentos, mas poucos metros quadrados não significam poucas possibilidades. Telas de proteção, locais elevados, arranhadores, esconderijos, brinquedos e recursos bem distribuídos podem transformar o apartamento em um ambiente mais seguro e interessante para o felino.

Gatos estão conquistando os apartamentos: como preparar a casa para eles?

Silenciosos, independentes e capazes de encontrar um lugar confortável até nos menores cantos da casa, os gatos parecem ter encontrado nos apartamentos um ambiente especialmente compatível com o estilo de vida das cidades.

E eles estão cada vez mais presentes nos lares brasileiros. Dados divulgados pelo Sebrae em 2026 apontam uma população próxima de 30 milhões de gatos no Brasil, com crescimento anual no número de tutores de felinos.

A verticalização das cidades e as mudanças no perfil das famílias aparecem entre os fatores relacionados a essa expansão.

Mas existe uma diferença importante entre um gato simplesmente morar dentro de um apartamento e encontrar ali um ambiente realmente adequado às suas necessidades.

Antes de tudo: janelas e varandas precisam ser seguras

Quem pretende receber um gato em um apartamento deve começar pela segurança.

Janelas, varandas e outros locais que permitam acesso ao exterior merecem atenção antes mesmo da chegada do animal.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo recomenda a utilização de telas de proteção em janelas, terraços e outros pontos que deem acesso ao exterior em residências onde vivem gatos.

Além de ajudar a prevenir quedas, essa proteção dificulta fugas e o contato não controlado com outros animais.

Para os gatos, existe muito espaço acima do chão

Um dos conceitos mais interessantes ao adaptar um apartamento para felinos é perceber que eles utilizam o espaço de maneira diferente das pessoas.

Nós pensamos principalmente em metros quadrados. Os gatos também aproveitam a altura.

Prateleiras, nichos, plataformas, móveis e estruturas próprias podem criar caminhos verticais e pontos elevados onde o animal consegue observar o ambiente.

As diretrizes de bem-estar felino da Feline Veterinary Medical Association destacam justamente a importância de oferecer território seguro com espaço vertical para gatos que vivem exclusivamente dentro de casa.

É aí que entra a chamada “gatificação”

O termo ficou popular para descrever adaptações feitas na casa pensando no comportamento natural dos gatos.

Mas gatificar não significa necessariamente cobrir todas as paredes com estruturas coloridas.

Um projeto discreto pode integrar prateleiras, nichos, arranhadores e locais de descanso à própria decoração do apartamento.

Uma estante pode ter uma área reservada para o animal. Uma prateleira pode funcionar como ponto de observação. Um móvel próximo de uma janela telada pode se transformar em um dos lugares preferidos do gato.

Arranhar não é “estragar a casa”

Arranhar faz parte do comportamento natural dos gatos.

Por isso, simplesmente tentar impedir esse comportamento pode ser menos eficiente do que oferecer locais apropriados para que ele aconteça.

Arranhadores verticais e horizontais, com materiais e posições diferentes, podem ser distribuídos em pontos estratégicos da casa.

A própria localização pode fazer diferença. Um belo arranhador escondido em um cômodo pouco utilizado talvez seja menos interessante para o gato do que outro colocado próximo aos ambientes onde a família passa boa parte do tempo.

Brincar também faz parte do bem-estar

Um gato que vive dentro de casa não precisa passar o dia inteiro dormindo no sofá.

As recomendações veterinárias para ambientes internos incluem oportunidades de brincar, explorar, procurar e simular comportamentos relacionados à caça.

Brinquedos interativos, bolinhas, varinhas, objetos que possam ser perseguidos e até pequenas porções de alimento escondidas em brinquedos apropriados podem tornar o ambiente mais interessante.

Também é interessante alternar os brinquedos disponíveis. Em vez de deixar todos espalhados permanentemente, alguns podem aparecer em momentos diferentes, criando novidade na rotina.

Comida, água e caixa de areia não precisam ficar todas juntas

Organizar os recursos disponíveis também faz parte de um ambiente adequado.

Diretrizes internacionais sobre necessidades ambientais felinas recomendam oferecer recursos importantes em locais apropriados e, especialmente em casas com mais de um gato, disponibilizá-los de maneira que os animais tenham opções e consigam utilizá-los sem conflitos.

Isso envolve áreas para alimentação, água, descanso, arranhadores, brinquedos e caixas sanitárias.

Em outras palavras, não é necessário concentrar todo o “cantinho do gato” em um único metro quadrado da lavanderia.

Dois gatos? O planejamento fica ainda mais importante

Ter mais de um gato não significa necessariamente que os animais utilizarão todos os recursos da mesma maneira.

Eles podem ter preferências diferentes e até evitar determinados locais quando existe tensão entre eles.

Por isso, distribuir recursos pela casa e oferecer diferentes locais de descanso, alimentação e acesso às caixas sanitárias pode ajudar a reduzir disputas.

Um apartamento pequeno pode ser uma casa interessante

A crescente presença dos gatos nos apartamentos acompanha uma mudança maior na maneira como as pessoas vivem nas cidades.

Os imóveis podem estar ficando mais compactos, mas isso não significa que precisam oferecer uma rotina pobre em estímulos para os animais.

Com segurança, locais elevados, esconderijos, arranhadores, brincadeiras e recursos bem distribuídos, poucos metros quadrados podem se transformar em um território muito mais interessante.

E talvez essa seja uma das razões pelas quais gatos e apartamentos formaram uma combinação tão comum nas cidades: para um felino, uma boa casa não é necessariamente a maior é aquela que oferece possibilidades.

Fontes consultadas

  • SEBRAE - AGÊNCIA SEBRAE DE NOTÍCIAS. Nos últimos dois anos, abertura de pequenos negócios do mercado pet cresceu 22% no país. Publicado em fevereiro de 2026. Material consultado sobre crescimento da população felina brasileira, perfil dos tutores e relação entre a ascensão dos gatos e a verticalização das cidades.
  • SEBRAE-SP - AGÊNCIA SEBRAE DE NOTÍCIAS. Pet South America 2026. Dados sobre a participação dos gatos na população pet brasileira e crescimento da presença dos felinos nos lares.
  • FELINE VETERINARY MEDICAL ASSOCIATION (FelineVMA / antiga AAFP). Meeting the Physical and Emotional Needs of Indoor Cats. Posicionamento atualizado sobre as necessidades físicas e emocionais de gatos mantidos exclusivamente em ambientes internos.
  • AMERICAN ASSOCIATION OF FELINE PRACTITIONERS (AAFP) / INTERNATIONAL SOCIETY OF FELINE MEDICINE (ISFM). Feline Environmental Needs Guidelines. Diretrizes sobre necessidades ambientais dos gatos, incluindo locais seguros, recursos distribuídos, brincadeiras, interação e respeito ao olfato e ao ambiente social do animal.
  • FELINE VETERINARY MEDICAL ASSOCIATION. Indoor/Outdoor Lifestyle Position Statement. Recomendações sobre segurança, espaço vertical, descanso, alimentação, brincadeiras, comportamento de caça e áreas sanitárias para gatos que vivem exclusivamente dentro de casa.
  • CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO (CRMV-SP). Orientações sobre manutenção de gatos domiciliados e utilização de telas de proteção em janelas, terraços e outros acessos ao exterior.
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