Durante muito tempo, a varanda de muitos apartamentos teve uma função pouco nobre: guardar caixas, acomodar objetos sem lugar definido, receber o varal ou simplesmente permanecer quase vazia.
Esse cenário vem mudando. Na arquitetura e na decoração contemporâneas, a varanda passou a ser encarada como uma verdadeira extensão da área de convivência do apartamento.
E não é preciso ter uma enorme varanda gourmet para aproveitar essa ideia. Mesmo poucos metros quadrados podem se transformar em um espaço para tomar café, cultivar plantas, ler um livro, conversar ou simplesmente observar a cidade no final do dia.
Antes de decorar, responda: para que você quer sua varanda?
Um dos erros mais comuns em ambientes pequenos é tentar colocar tudo ao mesmo tempo.
Mesa para seis pessoas, churrasqueira, armário, sofá, plantas, adega e poltronas podem funcionar em uma varanda grande. Em poucos metros, a tentativa de reproduzir esse cenário pode resultar em um ambiente apertado e pouco utilizado.
Por isso, a primeira decisão deve ser sobre a função principal do espaço.
O que sua varanda pode se tornar?
- um cantinho para o café da manhã;
- uma pequena área para leitura e descanso;
- um jardim com plantas e temperos;
- uma extensão da sala para conversar e receber;
- uma pequena varanda gourmet;
- um espaço tranquilo para apreciar a vista no fim do dia.
Poucos móveis podem funcionar melhor
Em varandas compactas, cada peça precisa justificar o espaço que ocupa.
Uma mesa redonda pequena com duas cadeiras pode funcionar melhor do que uma mesa tradicional de quatro lugares. Um banco encostado na parede pode oferecer assento sem comprometer a passagem. Mesas dobráveis, banquetas e móveis com espaço interno para armazenamento também ajudam a aproveitar melhor a metragem disponível.
Antes de comprar qualquer móvel, vale medir largura, profundidade, abertura das portas e a área necessária para circulação.
Afinal, uma varanda bonita perde boa parte do seu encanto quando é necessário desviar dos móveis toda vez que alguém passa por ela.
Plantas: talvez a transformação mais simples
Poucos elementos conseguem mudar tanto a atmosfera de uma varanda quanto as plantas.
Elas podem aparecer em vasos no piso, prateleiras, suportes ou jardins verticais, deixando a área mais acolhedora sem necessariamente ocupar grande parte da circulação.
Mas a escolha das espécies deve considerar as condições reais do local. Uma varanda que recebe sol durante boa parte da tarde exige plantas diferentes de outra que permanece na sombra.
Também é importante observar vento, frequência de rega e disponibilidade do morador para manutenção.
A iluminação muda completamente o espaço à noite
Durante o dia, a própria luz natural costuma ser protagonista. Quando anoitece, porém, uma iluminação bem planejada pode transformar a sensação do ambiente.
Luminárias de apoio, arandelas, pendentes ou iluminação indireta podem criar uma atmosfera mais acolhedora do que uma única luz branca e forte no teto.
A tendência observada em projetos residenciais atuais é justamente trabalhar a iluminação como parte da experiência do ambiente, especialmente em áreas destinadas ao descanso e à convivência.
E a varanda gourmet?
Nem toda varanda precisa virar uma área gourmet.
Mas, quando essa for a intenção, uma varanda pequena pode funcionar muito bem desde que o projeto seja proporcional.
Em vez de tentar reproduzir uma cozinha completa, pode ser mais interessante trabalhar com uma bancada compacta, poucos lugares e armazenamento planejado.
O objetivo é preservar espaço suficiente para que cozinhar, sentar e circular continuem sendo atividades confortáveis.
Sol, vento e chuva também fazem parte do projeto
A varanda possui uma característica diferente dos demais cômodos: ela está muito mais exposta às condições externas.
Antes de escolher móveis, tecidos, tapetes ou plantas, observe como o espaço se comporta ao longo do dia.
Em alguns apartamentos, o sol da tarde pode ser intenso. Em andares mais altos, o vento pode ser um fator importante. Varandas abertas também podem receber água durante chuvas acompanhadas de vento.
Por isso, materiais adequados às condições do ambiente tendem a durar mais e exigir menos manutenção.
Pequenas mudanças que podem fazer diferença
- retirar objetos acumulados e liberar a circulação;
- usar móveis compactos ou multifuncionais;
- adicionar duas ou três plantas adequadas ao local;
- criar um ponto de iluminação mais acolhedor;
- usar almofadas e tecidos próprios para as condições do ambiente;
- aproveitar paredes e espaços verticais;
- escolher uma função principal e evitar excesso de elementos.
Antes de reformar, lembre-se de que você mora em condomínio
Existe uma diferença importante entre decorar a varanda e modificar sua estrutura.
Colocar uma mesa, vasos ou uma poltrona é muito diferente de instalar envidraçamento, alterar esquadrias, modificar revestimentos, executar instalações elétricas ou hidráulicas ou realizar outras intervenções.
O Código Civil estabelece entre os deveres do condômino não realizar obras que comprometam a segurança da edificação e não alterar a forma e a cor da fachada, das partes e esquadrias externas.
Por isso, antes de executar intervenções, o morador deve consultar a convenção, o regimento interno e as regras definidas pelo condomínio. Dependendo da reforma, também pode ser necessária documentação e responsabilidade de profissional habilitado.
De depósito a um dos melhores lugares da casa
Transformar uma varanda não significa necessariamente fazer uma grande reforma ou investir em móveis caros.
Às vezes, retirar o que está acumulado, colocar uma pequena mesa, duas cadeiras, algumas plantas e uma iluminação agradável já muda completamente a relação do morador com aquele espaço.
Em apartamentos onde cada metro quadrado é importante, deixar uma varanda permanentemente sem uso significa abrir mão de uma área que já faz parte do imóvel.
Talvez aqueles poucos metros que hoje servem apenas para guardar coisas possam se transformar no lugar do café da manhã de domingo, de uma conversa no final do dia ou simplesmente de alguns minutos de descanso.
E é justamente aí que uma boa arquitetura faz diferença: não em colocar mais coisas dentro de casa, mas em fazer com que os espaços existentes sejam realmente utilizados.