Basta se aproximar da entrada, olhar para o equipamento e, poucos instantes depois, a porta é liberada.
O reconhecimento facial deixou de ser uma tecnologia restrita a aeroportos, grandes empresas ou filmes de ficção científica.
Hoje, os chamados controladores de acesso facial podem ser encontrados nas entradas de muitos condomínios residenciais, substituindo ou complementando tags, cartões, senhas e biometria digital.
Mas surge uma dúvida quando o condomínio decide implantar ou modernizar esse sistema:
qual equipamento escolher?
Existem modelos com capacidades, recursos e propostas bastante diferentes. E nem sempre o condomínio precisa comprar o equipamento mais sofisticado disponível.
Para entender melhor essas diferenças, o Jornal do Prédio pesquisou uma das fabricantes bastante presentes no mercado brasileiro de segurança eletrônica: a Intelbras.
Por que escolhemos a Intelbras para esta comparação?
A Intelbras possui uma linha ampla de equipamentos para controle de acesso, incluindo controladores faciais, leitores, catracas e soluções de gerenciamento.
Atualmente, a fabricante mantém diferentes famílias de controladores com reconhecimento facial, desde equipamentos com proposta mais simples até modelos com capacidade para milhares de usuários.
Além disso, existe documentação técnica, manuais, atualizações de firmware e ferramentas de integração disponibilizadas pela própria fabricante.
Isso é particularmente relevante em condomínios.
Afinal, um equipamento de controle de acesso pode permanecer instalado durante anos e não deveria ser escolhido apenas pela aparência ou pelo preço encontrado em uma loja.
Primeiro: o que exatamente faz um controlador facial?
Apesar de muitas pessoas chamarem o equipamento simplesmente de "leitora facial", tecnicamente ele pode fazer muito mais do que apenas capturar uma imagem.
Dependendo do modelo e da instalação, o controlador pode:
- identificar o rosto cadastrado;
- validar se aquela pessoa possui autorização;
- registrar o evento de acesso;
- acionar uma fechadura elétrica ou eletroímã;
- trabalhar com cartões RFID;
- aceitar senhas;
- utilizar biometria digital em determinados modelos;
- comunicar-se com sistemas de gerenciamento.
Portanto, estamos falando de uma peça importante da infraestrutura de segurança do condomínio.
Opção mais completa: Intelbras SS 3542 MF
Para condomínios que precisam atender uma quantidade maior de usuários ou desejam trabalhar com diferentes formas de autenticação, um modelo interessante da linha atual é o Intelbras SS 3542 MF.
Segundo a documentação da fabricante, o equipamento trabalha com reconhecimento facial e também possui biometria digital, cartão RFID de 13,56 MHz e senha.
Sua capacidade chega a 10 mil templates faciais.
Isso representa uma margem considerável mesmo para condomínios de grande porte.
Dez mil faces não significam necessariamente dez mil apartamentos
É importante entender essa diferença.
O dimensionamento não deve considerar apenas a quantidade de unidades.
Um condomínio com 300 apartamentos pode possuir muito mais pessoas cadastradas:
- proprietários;
- moradores;
- familiares;
- funcionários;
- prestadores permanentes;
- outros usuários autorizados conforme as regras do empreendimento.
Portanto, capacidade é uma característica que precisa ser dimensionada pensando no número de pessoas e na política de acesso, e não apenas na quantidade de apartamentos.
Reconhecimento rápido
De acordo com o catálogo técnico da Intelbras, a linha do SS 3542 MF consegue realizar a leitura facial em até aproximadamente 0,2 segundo, nas condições previstas pelo fabricante.
Parece um detalhe pequeno, mas velocidade pode fazer diferença.
Imagine dezenas de moradores chegando ao mesmo tempo no início da noite.
Se cada autenticação exigir vários segundos, rapidamente pode surgir uma fila na entrada.
Face não precisa ser a única forma de entrar
Outro ponto interessante do SS 3542 MF é justamente a possibilidade de utilizar diferentes formas de autenticação.
O equipamento oferece:
- reconhecimento facial;
- biometria digital;
- cartão RFID;
- senha.
Essa flexibilidade pode ser útil porque nem todos os usuários necessariamente utilizarão o mesmo método.
O condomínio pode ter situações em que outro meio de autenticação seja necessário ou mais adequado.
E onde ele pode ser instalado?
A documentação do SS 3542 MF prevê utilização em ambientes internos ou externos.
Isso é particularmente importante para condomínios, onde o controlador pode ficar instalado próximo a portões ou acessos sujeitos a condições ambientais diferentes de um hall fechado.
Ainda assim, a especificação completa do equipamento e as condições efetivas do local devem ser verificadas pelo integrador antes da instalação.
O que é a tecnologia anti-fake?
Um problema óbvio de qualquer sistema de reconhecimento facial seria alguém tentar apresentar uma fotografia do morador diante da câmera.
Por isso, equipamentos modernos utilizam mecanismos destinados a dificultar esse tipo de tentativa.
A Intelbras identifica esse recurso em sua linha como tecnologia anti-fake.
A proposta é permitir ao equipamento distinguir uma face real de uma tentativa de autenticação utilizando uma representação da pessoa.
Modelos da fabricante utilizam recursos como câmera de luz visível, infravermelho e algoritmos de detecção para realizar essa análise.
É uma característica importante, mas não significa que um único equipamento torne o acesso do condomínio invulnerável.
Segurança deve funcionar em camadas.
Mas todo condomínio precisa de um equipamento desse porte?
Não.
E esse é justamente um erro comum em projetos de tecnologia.
Comprar o equipamento com a maior capacidade disponível pode significar pagar por recursos que nunca serão utilizados.
Um condomínio menor pode ter necessidades bastante diferentes de um empreendimento com várias torres e milhares de moradores.
É nesse cenário que entram modelos de proposta mais simples.
Uma alternativa mais econômica: Intelbras SS 3531 MF Lite
Dentro da própria linha da Intelbras existe o SS 3531 MF Lite.
Como o próprio nome sugere, ele pertence à família Lite da fabricante e possui uma proposta mais enxuta.
O equipamento mantém recursos importantes para controle de acesso, incluindo:
- reconhecimento facial;
- cartão RFID de 13,56 MHz;
- senha;
- tela para operação e configuração;
- integração com a infraestrutura de controle de acesso.
Para projetos que não precisam da biometria digital e da capacidade superior de modelos mais completos, a família Lite pode representar uma alternativa interessante.
Lite não significa necessariamente inseguro
É importante não interpretar a expressão "Lite" como sinônimo de equipamento inseguro.
Ela indica uma proposta diferente dentro da linha de produtos.
A escolha precisa considerar o que o condomínio realmente necessita.
Se a quantidade de usuários está dentro da capacidade do equipamento e os métodos de autenticação disponíveis atendem ao projeto, não existe vantagem automática em comprar um controlador muito superior apenas porque ele possui mais recursos.
Então qual dos dois escolher?
Não existe uma resposta universal.
De forma simplificada, podemos enxergar as duas propostas assim:
| Característica | SS 3531 MF Lite | SS 3542 MF |
|---|---|---|
| Proposta | Projeto mais enxuto | Projeto mais robusto |
| Reconhecimento facial | Sim | Sim |
| Cartão RFID | Sim | Sim |
| Senha | Sim | Sim |
| Biometria digital | Não | Sim |
| Capacidade facial | Indicada para projetos de menor escala | Até 10 mil templates faciais |
Não compre uma leitora facial como quem compra uma televisão
Esse talvez seja o conselho mais importante desta matéria.
O valor encontrado na internet para o equipamento não representa necessariamente o custo do projeto.
Um sistema de controle de acesso pode envolver:
- controlador facial;
- fechadura eletromagnética ou elétrica;
- fonte de alimentação;
- botoeiras;
- sensores;
- cabeamento;
- rede;
- software;
- servidor ou serviço de gerenciamento;
- nobreak;
- instalação;
- configuração;
- manutenção.
Dependendo do projeto, o equipamento facial é apenas uma das peças do sistema.
E se faltar energia?
Essa pergunta deveria ser feita antes da instalação.
O condomínio precisa definir como o controle de acesso funcionará durante uma falta de energia.
Existe nobreak?
Por quanto tempo ele mantém o sistema?
Existe gerador?
A fechadura permanecerá aberta ou fechada em determinada falha?
Existe método alternativo para liberação?
Essas decisões fazem parte do projeto de segurança e não podem ser resolvidas apenas escolhendo uma boa leitora.
E se a internet cair?
Outra pergunta importante.
Sistemas profissionais podem possuir processamento e informações armazenadas localmente no controlador, dependendo da arquitetura adotada.
Isso pode permitir que determinadas funções continuem operando mesmo quando existe algum problema de comunicação com outros sistemas.
Mas o comportamento exato precisa ser validado no projeto.
O condomínio deve perguntar ao integrador:
"O que exatamente deixa de funcionar quando a internet ou a rede interna cai?"
Integração pode ser mais importante do que a própria leitora
Um condomínio pode possuir vários acessos:
- portão social;
- garagem;
- entrada de funcionários;
- academia;
- áreas de lazer;
- acessos internos.
Administrar cada equipamento isoladamente pode se tornar trabalhoso.
Por isso, antes da compra é importante verificar como os controladores serão gerenciados e integrados.
A Intelbras, por exemplo, possui ferramentas próprias para gerenciamento e documentação para integração de seus controladores.
Um morador saiu. Quem remove o acesso?
Tecnologia também depende de processo.
Não adianta instalar um excelente sistema facial se a base de usuários nunca é atualizada.
O condomínio precisa estabelecer procedimentos para:
- cadastrar novos moradores;
- remover moradores que deixaram o condomínio;
- gerenciar funcionários;
- controlar prestadores;
- revisar permissões;
- tratar acessos temporários quando utilizados.
Segurança não termina quando o equipamento é instalado.
Reconhecimento facial envolve dado pessoal sensível
Existe ainda uma questão que não pode ser ignorada: a proteção de dados.
A Lei Geral de Proteção de Dados classifica dados biométricos vinculados a uma pessoa natural como dados pessoais sensíveis.
Isso significa que o condomínio precisa avaliar com cuidado como realiza o tratamento dessas informações.
Entre os pontos que precisam ser considerados estão:
- finalidade do reconhecimento facial;
- base legal adequada;
- necessidade do tratamento;
- transparência com os moradores;
- controle de acesso às informações;
- segurança do armazenamento;
- retenção dos dados;
- procedimento de exclusão quando aplicável.
Ter uma câmera na entrada e reconhecer uma pessoa não são a mesma coisa
Uma câmera convencional pode registrar imagens para segurança.
Um sistema de reconhecimento facial realiza um tratamento diferente: utiliza características biométricas para identificar ou autenticar determinada pessoa.
Por isso, a implantação precisa ser avaliada também sob a perspectiva da LGPD.
Preço não deveria ser o primeiro filtro
Antes de perguntar "quanto custa a leitora?", o condomínio deveria responder algumas perguntas.
- Quantas pessoas serão cadastradas?
- Quantos acessos terão reconhecimento facial?
- O equipamento ficará exposto ao tempo?
- Precisamos de biometria digital?
- Precisamos de cartões?
- Como os visitantes serão tratados?
- Como os equipamentos serão gerenciados?
- Existe integração com o sistema atual?
- O que acontece sem energia?
- O que acontece sem rede?
- Quem fará manutenção?
Somente depois disso faz sentido comparar modelos.
Mais caro não significa automaticamente melhor para o seu condomínio
O SS 3542 MF possui características que podem ser muito interessantes em projetos maiores ou que necessitem de múltiplos métodos de autenticação.
Mas um condomínio menor pode descobrir que um equipamento da família Lite atende perfeitamente sua necessidade.
Nesse caso, investir a diferença em um bom nobreak, infraestrutura de rede, fechaduras de qualidade ou manutenção preventiva pode produzir um resultado melhor para o sistema como um todo.
O contrário também é verdadeiro
Economizar excessivamente no controlador pode gerar problemas quando o condomínio crescer ou precisar adicionar usuários e funcionalidades.
Comprar um equipamento trabalhando próximo do seu limite desde o primeiro dia reduz a margem para expansão.
Por isso, algum espaço para crescimento deve entrar no dimensionamento.
Antes de fechar o orçamento, confira
- ☐ Quantidade máxima de usuários e faces
- ☐ Velocidade de reconhecimento
- ☐ Tecnologia anti-fake
- ☐ Condições permitidas de instalação
- ☐ Métodos alternativos de autenticação
- ☐ Integração com o sistema de controle de acesso
- ☐ Funcionamento sem internet
- ☐ Funcionamento durante falta de energia
- ☐ Necessidade de nobreak
- ☐ Software utilizado para gerenciamento
- ☐ Atualizações de firmware
- ☐ Assistência técnica
- ☐ Procedimentos para cadastro e exclusão de usuários
- ☐ Requisitos de proteção dos dados biométricos
- ☐ Custo total da instalação, e não apenas do equipamento
A melhor leitora é aquela corretamente dimensionada
Reconhecimento facial pode tornar a entrada do condomínio mais prática, reduzir a dependência de chaves e cartões e ajudar a modernizar o controle de acesso.
Mas segurança não deveria ser comprada analisando apenas uma ficha técnica.
Um controlador excelente instalado de maneira inadequada pode produzir um sistema ruim. Um equipamento mais simples dentro de um projeto bem dimensionado pode entregar um resultado muito melhor.
Entre um Intelbras SS 3531 MF Lite e um SS 3542 MF, portanto, a pergunta não deveria ser simplesmente "qual é melhor?".
A pergunta correta é:
"Qual deles atende melhor às necessidades, ao tamanho e à infraestrutura do nosso condomínio?"
Essa resposta deve surgir do projeto — e não apenas da etiqueta de preço.
Nota editorial: os modelos citados nesta matéria foram selecionados como exemplos de duas propostas distintas dentro da linha de controle de acesso facial da Intelbras. O Jornal do Prédio não afirma que sejam os únicos ou os melhores equipamentos disponíveis no mercado. Especificações podem ser alteradas pelo fabricante e devem ser confirmadas antes da compra. A implantação de sistemas de controle de acesso e tratamento de dados biométricos deve contar com avaliação técnica e observar a legislação aplicável, inclusive a LGPD.