Sábado, 12 de setembro de 2026 Jundiaí e Região
Manutenção

Reforma nas áreas comuns: planejamento é tudo para evitar sustos e despesas inesperadas

Reformar academia, salão de festas, fachada, piscina ou outras áreas comuns exige muito mais do que contratar uma empresa. Cronograma, orçamento, aprovação correta, acompanhamento técnico e comunicação reduzem transtornos. E criar fundos específicos pode preparar o condomínio para despesas que inevitavelmente chegarão no futuro.

Áreas comuns, planeje a arrecadação antes de iniciar a obra
Áreas comuns

Pintar o salão de festas, modernizar a academia, trocar o piso da piscina, recuperar a fachada ou reformar a portaria.

Mais cedo ou mais tarde, praticamente todo condomínio precisa realizar intervenções em suas áreas comuns.

O problema é que uma obra mal planejada pode rapidamente se transformar em uma combinação bastante desagradável: custos adicionais, atrasos, reclamações dos moradores e chamadas extraordinárias de dinheiro.

Por outro lado, quando existe planejamento financeiro, técnico e operacional, a reforma pode ocorrer de maneira muito mais previsível.

E planejamento não deveria começar quando o equipamento quebra ou quando o ambiente já está deteriorado.

Um condomínio bem administrado precisa pensar não apenas no que custa manter suas áreas hoje, mas também no que custará renová-las amanhã.

Antes da obra vem o diagnóstico

O primeiro passo não deveria ser pedir três orçamentos.

Antes disso, é necessário compreender exatamente o que precisa ser feito.

Imagine que o salão de festas esteja bastante deteriorado. Uma empresa pode oferecer apenas pintura. Outra pode incluir correção das paredes, troca de luminárias e recuperação do piso. Uma terceira pode propor praticamente uma remodelação completa.

Embora os três documentos sejam chamados de orçamento, eles estão oferecendo serviços diferentes.

Por isso, um bom planejamento começa pela definição do escopo.

  • Qual problema queremos resolver?
  • O que precisa obrigatoriamente ser substituído?
  • O que pode ser recuperado?
  • Existem problemas estruturais ou apenas estéticos?
  • A reforma exige projeto?
  • Será necessário profissional tecnicamente habilitado?
  • Quanto tempo aquela solução deverá durar?

Nem toda obra possui a mesma regra de aprovação

O Código Civil diferencia as obras realizadas no condomínio conforme sua natureza.

De maneira geral, elas podem ser classificadas como necessárias, úteis ou voluptuárias.

Essa classificação é importante porque interfere na forma de aprovação.

O artigo 1.341 do Código Civil estabelece que obras voluptuárias dependem do voto de dois terços dos condôminos, enquanto obras úteis dependem do voto da maioria dos condôminos.

Já obras ou reparações necessárias podem, nas situações previstas em lei, ser realizadas independentemente de autorização pelo síndico.

Quando uma obra necessária for urgente e envolver despesa excessiva, entretanto, a legislação determina que a assembleia seja imediatamente cientificada.

Antes de iniciar uma grande intervenção, portanto, é importante verificar a natureza da obra, a convenção do condomínio e o quórum aplicável àquela decisão.

Manutenção não é a mesma coisa que modernização

Essa diferença fica mais fácil de perceber com exemplos.

Corrigir uma infiltração que está deteriorando a estrutura possui características muito diferentes de substituir um salão de festas funcional por um ambiente de padrão superior simplesmente por uma decisão estética.

Da mesma maneira, trocar um equipamento quebrado pode representar uma necessidade, enquanto criar uma estrutura completamente nova pode ter outro enquadramento.

Em casos que envolvam valores elevados ou dúvidas sobre o quórum, é recomendável que o condomínio obtenha orientação técnica e jurídica antes da votação.

Em São Paulo, atenção às exigências técnicas

Condomínios paulistas também precisam observar as regras técnicas e administrativas aplicáveis ao município onde estão localizados, além das normas nacionais pertinentes à intervenção.

Dependendo da reforma, podem ser necessários projetos, licenças, autorizações e acompanhamento de profissional habilitado.

Intervenções que envolvam estrutura, instalações elétricas, instalações hidráulicas, gás, impermeabilização, fachada e outros sistemas relevantes da edificação merecem atenção especial.

Quando houver responsabilidade técnica de engenharia ou arquitetura, devem ser observados os documentos correspondentes, como ART ou RRT, conforme a atividade e o profissional responsável.

O síndico não precisa ser engenheiro ou arquiteto. Mas precisa saber reconhecer quando determinada decisão exige alguém tecnicamente habilitado.

Três orçamentos ajudam, mas não resolvem tudo

É comum ouvir que o condomínio deve buscar pelo menos três propostas. Comparar fornecedores realmente é uma boa prática.

Mas existe um detalhe: o menor preço não necessariamente representa o menor custo.

Compare se todas as propostas contemplam o mesmo escopo.

  • Os materiais possuem especificação equivalente?
  • A retirada de entulho está incluída?
  • Existem proteções para elevadores e áreas de circulação?
  • Quem será responsável por eventuais danos?
  • Qual é o prazo?
  • Existe garantia?
  • Quais são as condições de pagamento?
  • Há responsável técnico quando necessário?
  • O que está expressamente fora do orçamento?

Uma proposta muito barata pode simplesmente estar deixando de fora serviços presentes nas demais.

Crie uma margem para imprevistos

Reformas possuem uma característica incômoda: alguns problemas somente aparecem depois que o serviço começa.

Ao remover um revestimento, por exemplo, pode surgir uma infiltração. Ao abrir determinado trecho, pode ser descoberta uma instalação antiga que também precisa de intervenção.

Isso não significa aceitar qualquer aumento apresentado pelo fornecedor.

Significa reconhecer que o planejamento financeiro deve prever uma margem razoável para contingências, especialmente em edifícios antigos ou intervenções complexas.

Cronograma precisa existir antes da primeira martelada

Uma reforma interfere diretamente na rotina dos moradores.

Por isso, o condomínio precisa saber não apenas quando a obra começa, mas como ela deverá avançar.

Um cronograma pode indicar:

  • data prevista para início;
  • etapas da obra;
  • áreas que serão interditadas;
  • tempo estimado de cada etapa;
  • horários permitidos para os serviços;
  • momentos de maior ruído;
  • previsão de conclusão;
  • responsáveis pelo acompanhamento.

Comunicação reduz muito o desgaste

Para quem acompanha a reforma todos os dias, algumas informações parecem óbvias.

Para o morador que chega em casa e encontra a academia fechada, elas não são.

Antes do início, informe:

  • o que será feito;
  • por que a intervenção é necessária;
  • quanto tempo deverá durar;
  • quais espaços serão afetados;
  • quais horários terão maior ruído;
  • se haverá mudança na circulação;
  • como acompanhar o andamento.

Durante obras mais longas, atualizações periódicas ajudam a manter os moradores informados sobre o cumprimento do cronograma.

Se houver atraso, comunicar o motivo costuma funcionar muito melhor do que simplesmente deixar a data prevista passar em silêncio.

O fundo de obras muda completamente essa equação

Agora chegamos a um ponto que merece atenção especial: como pagar pela reforma?

Imagine que o condomínio descubra que precisará realizar uma obra de R$ 300 mil.

Se não houver recursos reservados, provavelmente será necessário discutir uma arrecadação extraordinária significativa.

Para muitas famílias, receber de repente uma cobrança adicional elevada pode representar um problema financeiro.

Uma alternativa é o planejamento antecipado por meio de fundos ou provisões regularmente constituídos.

Em vez de descobrir o custo somente quando a obra se torna inevitável, o condomínio pode formar recursos gradualmente ao longo dos anos.

Fundo de reserva e fundo de obras não precisam ser tratados como a mesma coisa

É importante observar aquilo que determina a convenção e o que foi aprovado em assembleia.

Muitos condomínios possuem um fundo de reserva geral destinado a situações específicas previstas em suas próprias regras.

Mas também é possível discutir a criação de uma arrecadação destinada especificamente a futuras obras e melhorias.

Isso facilita a gestão e torna mais transparente para os moradores quanto existe reservado para determinada finalidade.

A criação, finalidade, forma de arrecadação e utilização desses recursos devem ser formalmente aprovadas e corretamente contabilizadas, observando a convenção e as deliberações do condomínio.

É possível pensar em fundos específicos para cada área

Em condomínios com muitas estruturas de lazer e serviços, uma alternativa de planejamento é criar reservas vinculadas a determinadas finalidades.

Por exemplo:

  • fundo de obras;
  • fundo para academia;
  • fundo para salão de festas;
  • fundo para lavanderia compartilhada;
  • fundo para modernização de equipamentos;
  • ou outras provisões aprovadas conforme a realidade do condomínio.

Não existe uma fórmula única que funcione para todos os empreendimentos.

Um condomínio pequeno possui necessidades muito diferentes de um condomínio-clube com academia, piscina, lavanderia, salões, brinquedoteca e dezenas de equipamentos.

Salão de festas: parte da taxa de utilização pode ajudar a cuidar do próprio espaço

Muitos condomínios cobram uma taxa quando o morador reserva o salão de festas.

Parte dessa arrecadação normalmente ajuda a compensar despesas geradas pela própria utilização, conforme as regras de cada condomínio.

Mas, quando regularmente aprovado, o planejamento pode ir além do custo imediato.

Uma parcela da arrecadação pode ser destinada a uma reserva para futuras intervenções no próprio salão.

Afinal, com o passar dos anos será necessário substituir:

  • mesas e cadeiras;
  • geladeira;
  • fogão ou cooktop;
  • micro-ondas;
  • equipamentos de climatização;
  • iluminação;
  • móveis;
  • revestimentos;
  • utensílios.

Dessa maneira, quem utiliza o espaço também contribui para sua conservação e futura renovação, conforme o modelo financeiro aprovado pelo condomínio.

Academia: os equipamentos não durarão para sempre

Esteiras, bicicletas, aparelhos de musculação, equipamentos eletrônicos e sistemas de climatização possuem vida útil.

A manutenção preventiva é fundamental e pode prolongá-la consideravelmente.

Mas manutenção não transforma nenhum equipamento em eterno.

Em algum momento, uma esteira precisará ser substituída. Depois outra. E eventualmente vários equipamentos poderão chegar ao fim de sua vida útil em períodos próximos.

Se o condomínio começar a formar uma reserva para a academia anos antes, a troca pode ser planejada.

Sem essa reserva, a substituição poderá depender de uma cobrança extraordinária justamente quando o equipamento deixar de funcionar.

Lavanderia compartilhada: o exemplo perfeito de planejamento de longo prazo

Condomínios que possuem lavanderia compartilhada oferecem uma comodidade importante aos moradores.

Em muitos casos, existe cobrança pela utilização das máquinas.

É natural que parte desse dinheiro seja utilizada para despesas relacionadas à operação, manutenção e conservação do serviço, de acordo com as regras estabelecidas pelo condomínio.

Mas existe uma despesa futura que não deveria ser esquecida: a substituição das máquinas.

Uma lavadora pode receber manutenção durante anos. Peças podem ser substituídas. Componentes podem ser reparados.

Ainda assim, chegará o momento em que continuar consertando deixará de fazer sentido econômico ou técnico.

E máquinas profissionais ou adequadas ao uso coletivo podem representar um investimento elevado.

A taxa de uso da lavanderia pode olhar também para o futuro

Suponha que determinada máquina gere receita mensal por utilização.

Se todo o dinheiro arrecadado for utilizado apenas para pagar as despesas correntes, quando chegar o momento de comprar uma nova máquina o saldo disponível poderá ser zero.

Por isso, quando aprovado e corretamente contabilizado, o condomínio pode estruturar uma reserva destinada à futura renovação dos equipamentos.

É uma lógica semelhante à depreciação econômica: cada utilização contribui não apenas para o desgaste atual, mas também aproxima o equipamento do momento em que precisará ser substituído.

Um pequeno valor durante anos pode evitar uma grande cobrança de uma vez

Esse raciocínio não vale apenas para lavanderias.

Imagine um equipamento que custe R$ 30 mil para substituir e que tenha uma expectativa de utilização de vários anos.

Existem duas maneiras bastante diferentes de encarar essa despesa.

A primeira é esperar o equipamento quebrar e então descobrir como arrecadar R$ 30 mil.

A segunda é reconhecer antecipadamente que ele precisará ser substituído algum dia e formar uma reserva gradualmente.

O gasto futuro continua existindo. O que muda é o momento em que o condomínio começa a se preparar para ele.

O dinheiro de cada fundo precisa ser transparente

Criar vários fundos sem controle também pode produzir confusão.

Se o condomínio adotar reservas específicas, a contabilidade deve permitir compreender claramente:

  • quanto foi arrecadado;
  • qual é a origem do dinheiro;
  • qual é a finalidade aprovada;
  • quanto já foi utilizado;
  • qual é o saldo disponível;
  • onde os recursos estão mantidos;
  • quais despesas foram pagas com aquele fundo.

Essas informações também devem aparecer de maneira compreensível nas prestações de contas.

Evite usar o dinheiro destinado a uma finalidade para outra sem aprovação

Se os moradores aprovaram uma arrecadação específica para determinada finalidade, a administração deve respeitar aquilo que foi deliberado.

Utilizar indiscriminadamente o dinheiro reservado para a academia, por exemplo, para financiar uma reforma não relacionada pode provocar questionamentos.

Quando houver necessidade de alterar a destinação, o caminho mais seguro é verificar a convenção e submeter a questão à deliberação apropriada.

Planejamento financeiro também precisa considerar inflação

Guardar dinheiro durante vários anos sem revisar o planejamento pode criar uma falsa sensação de segurança.

O valor necessário para trocar equipamentos hoje provavelmente não será o mesmo daqui a cinco ou dez anos.

Por isso, as projeções devem ser revistas periodicamente.

Se o custo estimado de determinada reforma aumentar, a contribuição necessária para atingir a meta também pode precisar ser ajustada.

Crie um mapa dos grandes gastos futuros

Uma ferramenta bastante útil é construir um planejamento plurianual das áreas comuns.

Por exemplo:

  • 2027: modernização do salão de festas;
  • 2028: renovação parcial da academia;
  • 2029: impermeabilização de determinada área;
  • 2030: substituição de equipamentos da lavanderia;
  • 2031: revitalização da piscina;

As datas naturalmente podem mudar.

Mas visualizar os grandes gastos futuros ajuda o condomínio a dimensionar quanto precisa arrecadar e evita que todas as despesas apareçam de surpresa.

Tenha também um histórico de manutenção

Saber quando um equipamento foi comprado e quanto já gastou em manutenção ajuda bastante na decisão entre reparar ou substituir.

Para equipamentos relevantes, registre:

  • data de aquisição;
  • valor de compra;
  • garantia;
  • manutenções realizadas;
  • peças substituídas;
  • custos acumulados;
  • falhas recorrentes;
  • previsão aproximada de renovação.

Com histórico, a decisão deixa de ser baseada apenas na impressão de que "essa máquina vive quebrando".

Durante a obra, alguém precisa acompanhar

Aprovar o orçamento e entregar a chave ao fornecedor não encerra a responsabilidade do condomínio.

Obras maiores precisam de acompanhamento compatível com sua complexidade.

Cronograma, materiais, serviços executados e eventuais alterações de escopo precisam ser registrados.

Quando houver responsável técnico, o acompanhamento deve respeitar as atribuições profissionais estabelecidas para o serviço.

Mudou o escopo? Documente

Durante a execução, podem surgir necessidades não previstas inicialmente.

Evite combinações informais do tipo:

"Já que vocês estão aqui, façam também aquela outra parede e depois acertamos."

Alterações de escopo podem modificar custo e prazo.

Por isso, devem ser documentadas, orçadas e aprovadas conforme as regras aplicáveis ao contrato e ao condomínio.

Antes de começar uma reforma, confira

  • ☐ O problema e o objetivo da reforma estão claramente definidos
  • ☐ O escopo foi elaborado
  • ☐ A natureza da obra e o quórum necessário foram verificados
  • ☐ A convenção do condomínio foi consultada
  • ☐ Foram avaliadas as exigências técnicas e legais
  • ☐ ART ou RRT foi providenciada quando necessária
  • ☐ As propostas possuem escopos comparáveis
  • ☐ O fornecedor foi avaliado além do preço
  • ☐ Existe contrato detalhado
  • ☐ O cronograma está definido
  • ☐ Existe previsão financeira para contingências
  • ☐ Os moradores foram comunicados
  • ☐ Existe responsável pelo acompanhamento
  • ☐ Alterações de escopo serão formalizadas

E para o futuro?

  • ☐ Existe planejamento de obras para os próximos anos
  • ☐ O fundo de obras está adequado às necessidades futuras
  • ☐ A academia possui planejamento para renovação dos equipamentos
  • ☐ As receitas do salão estão sendo utilizadas conforme sua destinação aprovada
  • ☐ A lavanderia possui previsão para substituição futura das máquinas
  • ☐ Os valores das reservas são revisados periodicamente
  • ☐ Os fundos possuem prestação de contas transparente
  • ☐ Existe histórico de manutenção dos principais equipamentos

O melhor momento para planejar uma obra é antes de precisar dela

Um condomínio inevitavelmente envelhece.

Pinturas se desgastam, equipamentos quebram, móveis precisam ser substituídos e ambientes deixam de atender às necessidades dos moradores.

Não existe administração capaz de impedir completamente esse processo.

O que uma boa gestão pode fazer é se preparar financeiramente e operacionalmente para ele.

Um fundo para academia não significa que as esteiras estão ruins. Uma reserva para lavanderia não significa que as máquinas serão trocadas amanhã. Um fundo de obras não significa que existe uma reforma emergencial.

Significa simplesmente reconhecer que os bens do condomínio possuem vida útil e que, em algum momento, recursos serão necessários para renová-los.

Manutenção preventiva ajuda os equipamentos a durarem mais. Planejamento financeiro prepara o condomínio para o dia em que a manutenção já não será suficiente.

Quando cronograma, orçamento, comunicação e reservas financeiras caminham juntos, a reforma deixa de ser uma surpresa e passa a fazer parte da gestão natural do patrimônio de todos.


Este conteúdo possui caráter informativo. A aprovação e execução de obras, criação e utilização de fundos e definição de contribuições devem observar o Código Civil, a convenção e o regimento interno do condomínio, as deliberações da assembleia, as normas técnicas aplicáveis e as exigências do município onde o imóvel está localizado. Obras de maior complexidade devem contar com orientação técnica e, quando necessário, jurídica.

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