Abra a torneira e a água está lá. O chuveiro funciona, a caixa d'água permanece abastecida e ninguém pensa muito sobre como a água chegou até aquele ponto.
Em muitos condomínios verticais, existe um equipamento trabalhando nos bastidores para que isso aconteça: a bomba d'água.
Ela costuma ficar escondida em uma casa de bombas ou área técnica e pode passar anos praticamente despercebida pelos moradores. Mas basta uma falha para um equipamento quase invisível se transformar rapidamente em assunto do condomínio inteiro.
Para que serve a bomba de recalque?
Existem diferentes tipos de bombas em um condomínio, mas uma das mais importantes para o abastecimento é a bomba de recalque.
Em uma configuração bastante comum, a água proveniente da rede pública abastece primeiro um reservatório inferior, muitas vezes chamado de cisterna.
A bomba entra em funcionamento para transportar essa água pela tubulação de recalque até o reservatório superior do edifício. A partir dali, a distribuição pode ocorrer aos apartamentos conforme a configuração hidráulica do prédio.
Portanto, mesmo que exista água armazenada no reservatório inferior, uma falha no sistema de recalque pode impedir que ela chegue ao reservatório superior.
Recalque e pressurização não são a mesma coisa
Bomba de recalque
Transporta água entre pontos do sistema, como do reservatório inferior para o reservatório superior do edifício.
Pressurizador
Atua para proporcionar as condições de pressão necessárias ao sistema quando a pressão disponível não é suficiente.
Além delas, condomínios podem possuir bombas destinadas a drenagem, piscinas, fontes, reúso e sistemas de combate a incêndio, dependendo das características do empreendimento.
Por isso, antes de falar simplesmente em "manutenção da bomba", o síndico precisa saber quais bombas existem no condomínio, para que servem e quais sistemas dependem de cada uma delas.
Por que normalmente existem duas bombas?
Um sistema essencial não deveria depender de um único equipamento.
A ABNT NBR 5626:2020, que trata dos sistemas prediais de água fria e quente, estabelece que os sistemas de recalque e pressurização devem possuir no mínimo duas bombas independentes.
Isso permite que o sistema tenha redundância e também possibilita estratégias de alternância entre os equipamentos, conforme projeto e automação instalados.
Um cenário especialmente ruim ocorre quando a bomba principal apresenta defeito e somente naquele momento se descobre que a reserva também possui algum problema.
A bomba não trabalha sozinha
Quando o sistema deixa de funcionar, nem sempre o problema está necessariamente no motor da bomba.
O conjunto pode envolver quadro elétrico, dispositivos de comando, sensores ou controles de nível, registros, válvulas, conexões e tubulações.
Uma falha em algum desses componentes pode interferir no funcionamento do abastecimento.
É por isso que simplesmente substituir uma bomba sem identificar a causa da falha pode não resolver definitivamente o problema.
Existem sinais antes de uma parada?
Alguns problemas podem apresentar indícios antes de uma interrupção completa.
- ruídos diferentes daqueles normalmente produzidos pelo equipamento;
- vibração excessiva ou comportamento fora do padrão habitual;
- vazamentos próximos à bomba, conexões ou elementos de vedação;
- acionamentos excessivamente frequentes ou comportamento irregular;
- aquecimento ou sinais anormais nos componentes elétricos;
- dificuldade no enchimento dos reservatórios;
- alterações de pressão percebidas em diferentes unidades;
- falha na alternância ou acionamento da bomba reserva.
Nenhum desses sinais deve servir para que moradores ou funcionários sem qualificação desmontem o equipamento. Eles são justamente motivos para solicitar uma avaliação técnica.
Manutenção preventiva não é esperar a bomba quebrar
A lógica da manutenção preventiva é acompanhar o equipamento enquanto ele ainda está funcionando.
A NBR 5626 estabelece, em sua tabela de periodicidades máximas para atividades de manutenção, a verificação semestral do funcionamento de bombas e pressurizadores, por profissional qualificado.
Isso não significa que todo equipamento deva receber exatamente a mesma intervenção a cada seis meses. O plano de manutenção também deve considerar o projeto, as recomendações do fabricante, intensidade de utilização, características do sistema e histórico do equipamento.
Inspeções rotineiras podem ainda identificar alterações entre uma manutenção programada e outra.
O síndico não precisa consertar a bomba precisa gerenciar a manutenção
Não cabe ao síndico saber desmontar um motor, trocar rolamentos ou diagnosticar um quadro elétrico.
A responsabilidade da gestão está muito mais em organizar o histórico e garantir que o sistema seja acompanhado adequadamente.
Uma rotina de gestão pode registrar quais equipamentos existem, fabricante e modelo, localização, empresa responsável pela manutenção, datas das inspeções, serviços executados, peças substituídas e ocorrências anteriores.
Relatórios de manutenção também ajudam a evitar que o conhecimento sobre o sistema fique apenas na memória do zelador, síndico ou prestador que estava presente naquele momento.
E quando a bomba realmente para?
O primeiro passo não deveria ser improvisar.
A equipe responsável precisa verificar o sistema conforme os procedimentos previstos para o condomínio e acionar a assistência qualificada quando necessário.
Se houver redundância corretamente instalada e operacional, a bomba alternativa pode assumir a função de acordo com a configuração do sistema.
Também é importante comunicar os moradores quando houver possibilidade de impacto no abastecimento, principalmente se a manutenção exigir interrupção ou se o nível dos reservatórios estiver diminuindo.
Ela ajuda o condomínio a descobrir problemas antes que eles virem emergências.
Uma infraestrutura invisível, mas essencial
Elevadores, portões e iluminação são equipamentos que os moradores enxergam diariamente. Bombas d'água normalmente ficam escondidas.
Essa invisibilidade pode criar a falsa impressão de que não precisam de atenção enquanto estiverem funcionando.
Mas justamente por participarem de sistemas essenciais do edifício, bombas de recalque e pressurização devem fazer parte do planejamento regular de manutenção.
Para o síndico, conhecer o sistema, manter registros, testar a redundância prevista e contratar profissionais qualificados é muito mais eficiente do que descobrir como tudo funciona somente quando os moradores começam a perguntar:
"Por que acabou a água do prédio?"
Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui inspeção, projeto, diagnóstico ou manutenção realizada por profissional qualificado. Cada condomínio possui características hidráulicas próprias. Intervenções devem considerar as normas técnicas vigentes, documentação do sistema e recomendações dos fabricantes dos equipamentos.